Queria a leveza. Leveza dos traços de Niermayer, mas com a imponência dos traços de Ramos de Azevedo. A leveza dos sons da natureza, mas com a intensidade da quinta sinfonia de Bethoveen. A leveza da mulher que fez amor com o seu amado. A leveza da criança insegura, sentindo-se dona da verdade. A leveza dos raios de sol por entre a copa das árvores. A leveza da carambola. A leveza do cheiro do café, misturada com o cheiro da impressão do jornal. A leveza do sol da manhã iluminando o recinto, timidamente. A leveza do pequeno parque, restante no meio dos prédios. A leveza da Lagoa da conceição, com a imponência da Serra. A leveza dos momentos puros, que ocorrem quando as energias se encontram. No entanto, aquilo que resta é a densidade dos produtos industrializados. Das conversas em lata, dos sonhos em conserva. A densidade do Rio Tiete e de sua avenida marginal. A densidade das ruas estreitas apinhadas de carro. A densidade do churrasco grego ao desembarcar do metrô. A densidade das paixões frustradas. Restou, também, a sensação magnífica da novidade, a qual se esvai, pouco a pouco. Deixou apenas o nevoeiro, denso como a fumaça dos fogos de reveillon.
Escrito por Ðårkness`Ångel às 22h19
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