Pudera eu, lavar a alma. Secaram-se as lágrimas. Formou-se um poço de traumas. Minha revolução solar foi em 1º de abril, às 21:38h (momento real do aniversario, com correções, como a do ano bissexto), apesar de ter completado 22 anos em 02 de abril. Na ocasião do meu aniversario, é comum eu ficar deprimido. Há cerca de uma semana, eu lembrei que tinha esperança... e essa transbordava. Os olhos brilhavam... imagino que o meu inconsciente pensava que quando eu ficasse adulto as coisas melhorariam... Doce ilusão! Agora faço faculdade, com a sensação que perdi uns quatro anos, porque não me impus e fiz arquitetura logo de cara? Por que não continuei trabalhando no zoológico? Por que não fiquei com o rapaz do Rio? Por que não terminei o técnico? Antes eu não me expunha, agora, me exponho em demasia. Isso tem bônus e ônus. Sou uma pessoa boa e um tanto ingênua... um utópico abandonado no meio de um ambiente pérfido. Gostaria, apenas, de não estar tenso em tempo integral, de resgatar minha vaidade,(posso ainda sentir o cheiro da piscina), de usar o meu tempo livre e tomar posse da amplidão e da cidade (ainda lembro da primeira vez que caminhei no bairro de Higienópolis), de despirocar (porres na rua, baladas de quinta-feira até domingo), de estar em ambiente familiar (a comida pronta não tem preço), de não ter medo de amar... Apesar das limitações financeiras, adoro o meu contexto de vida, no entanto, tenho medo daquilo que poderei me tornar. A cada dia que passa, dou mais um passo a caminho da solidão. Acho que isso se deve as decepções cíclicas. A esperança que transbordava, minguou, está agora reduzida a uma poça. Se antes o submergir, agora dá apenas para por o pé. E, é visível o momento em que isso irá secar. Lembrei que existe a teoria da sorte: quando a sorte acaba, a pessoa morre! Paralelamente, tem a teoria da esperança: quando a esperança acabar, o indivíduo dá cabo de si. Seria muito conveniente não morar em apartamento... As pedras do penhasco estão muito lisas para continuar a subida. Talvez eu olhe esse texto daqui a dez anos e de risadas, talvez daqui a um ano e lembre que tudo passou! Talvez um terceiro associe este texto a uma carta de despedida, ao visitar esse blog dias após minha morte... (mesmo o texto tendo sido escrito anos antes). Talvez eu reaprenda a chorar. Talvez alguém tenha paciência de fazer um resgate. Talvez algo faça eu me lembrar da bondade. Eu queria apenas ser acolhido. De onde vem a calma, Los Hermanos. De onde vem a calma daquele cara ? Ele não sabe ser melhor, viu? Como não entende de ser valente ele não sabe ser mais viril Ele não sabe não, viu? Às vezes dá como um frio É o mundo que anda hostil O mundo todo é hostil De onde vem o jeito tão sem defeito que esse rapaz consegue fingir? Olha esse sorriso tão indeciso tá se exibindo pra solidão Não vão embora daqui Eu (não) sou o que vocês são Não solta (larga) da minha mão Não solta (larga) da minha mão Eu não vou mudar não Eu vou ficar são Mesmo se for só não vou ceder Deus vai dar aval sim, o mal vai ter fim e no final assim calado eu sei que vou ser coroado rei de mim.
Escrito por Ðårkness`Ångel às 22h40
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